Jul. 31st, 2010 | 03:36 pm

após uma noite de insónia, posso assegurar que o que me incomoda nos gatos, não é tanto o mi, mas sim o au
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o amor, a mulher e o masoquismo
Jul. 28th, 2010 | 11:23 am
O amor é uma intoxicação grave, um vício, um vício que se gosta de partilhar, um vício no qual, se um dos comparsas se mostra empenhado, o outro não passa muitas vezes de cúmplice ou vítima ou de possesso. (...) O amor é masoquista. Esses gritos, essas queixas, essas suaves inquietações, esse estado de angústia dos apaixonados, esse estado de expectativa, esse sofrimento latente, subentendido, apenas manifestado, essas mil e uma preocupações acerca do ser amado, essa fugacidade do tempo, esses susceptibilidades, essas alternâncias de humor, essas divagações, essas criancices, essa tortura moral em que a vivacidade e o amor-próprio se encontram em jogo, a honra, a educação, o pudor, esses altos e baixos do tónus nervoso, esses desvarios da imaginação, esse feiticismo, essa precisão cruel dos sentidos que chicoteiam e que rebuscam, essa queda, essa prostração, essa abdicação, esse aviltamento, essa perda e essa recuperação perpétua da personalidade, esses embaraços, essas palavras, essas frases, esse emprego do diminutivo, essa familiariedade, essas excitações nos contactos, essa ternura epiléptica, essas recaídas sucessivas e multiplicadas, essa paixão cada vez mais perturbadora, tempestuosa e progressivamente devastadora até à completa inibição, ao completo aniquilamento da alma, até à atonia dos sentidos, até ao esgotamento do tutuano, ao vazio do cérebro, até à secura do coração, essa necessidade de prostração, de destruição, de mutilação, essa necessidade de efusão, de adoração, de misticismo, essa insaciabilidade que leva a pedir auxílio a hiperirritabilidade das mucosas, às divagações do gosto, às desordens vasomotoras ou periféricas e que apela para o cíume e para a vingança, para os crimes, para as mentiras, para as traições, essa idolatria, essa melancolia incurável, essa profunda miséria moral, essa dúvida definitiva e pungente, esse desespero, todos esses estigmas não constituem porventura os próprios sintomas do amor, segundo os quais se pode diagnosticar e seguidamente traçar com mão firme o quadro clínico do masoquismo?
Mulier tota in utero – dizia Paracelso. É por isso que todas as mulheres são masoquistas. O amor nelas começa pelo rebentar de uma membrana e leva até ao completo despedaçar do ser, no momento do parto. Toda a vida delas é simples sofrimento. O sofrimento ensanguenta-as mensalmente. A mulher encontra-se sob o signo da Lua, esse reflexo, esse astro morto, e é por isso que, quanto mais a mulher dá a vida, mais gera a morte. Mais do que símbolo da geração, a mãe é o símbolo da destruição. E qual é a mãe que não preferiria matar e devorar os filhos, se ela assim tivesse a certeza de reservar para si o macho, de o guardar, de se deixar imbuir por ele, de o absorver por baixo, de o digerir, de o macerar nela, de o deixar reduzido ao estado de feto e de o levar assim toda a vida no seu seio? Porque é precisamente a isso, à absorção, à reabsorção do macho, que leva a essa infinita maquinaria do amor. O amor não tem outro fim e, como o amor é o único móbil da natureza, a única lei do universo é o masoquismo. Destruição e nada – é nisso que se cifra esse derramamento inexaurível dos seres. Um ser vivo nunca se adapta ao seu meio, ou então, ao adaptar-se, morre. A luta pela vida é a luta pela não adaptação. Viver é ser diferente. É por isso que todas as grandes espécies vegetais e zoológicas são monstruosas. E a mesma coisa acontece no aspecto moral. O homem e a mulher não estão feitos para se sentenderem, para se amarem, para se fundirem e confundirem. Pelo contrário, detestam-se e dilaceram-se um ao outro; e se, nesta luta que tem o nome de amor, a mulher passa por ser a eterna vítima, na realidade é o homem que se mata e se torna a matar. Porque o macho é o inimigo, o inimigo desajeitado, desastrado, especializado demais. A mulher é todo-poderosa, encontra-se mais à vontade na vida, tem vários centros erotogénicos, sabe portanto sofrer melhor, tem maior resistência, a sua libido dá-lhe peso, é ela a mais forte. O homem é escravo dela, entrega-se, rebola-se-lhe aos pés, abdica passivamente. Ele padece. A mulher é masoquista. O único princípio de vida é o masoquismo e o masoquismo é um princípio de morte. É por isso que a existência é idiota, imbecil, vã. Não tem nenhuma razão de ser. É por isso que a vida é inútil.
A mulher é maléfica. A história das civilizações mostra-nos os meios postos em acção pelos homens para se defenderem do relaxamento e de efeminação. Artes, religiões, doutrinas, leis, imortalidade são afinal outras tantas armas inventadas pelos machos para resistirem ao prestígio universal da fêmea. Infelizmente, essa vâ tentativa nunca dá nem nunca dará resultado algum, porque a mulher triunfa de todas as abstracções. No decurso das idades, mais tarde ou mais cedo, vemos todas as civilizações cambalearem, desaparecerem, ruírem, caírem no abismo prestando homenagem À fêmea. Raras são as formas de sociedade que conseguiram resistir a esta tendência durante um certo número de séculos, tais como o colégio contemplativo dos brâmanes ou a comunidade categórica dos astecas; as outras, como a dos chineses, só inventaram afinal modos complicados de masturbação e de orações para acalmar o frenesim feminino ou então – é o caso das comunidades cristãs e budistas – tiveram de recorrer à castração, às penitências corporais, aos jejuns, à clausura, à introspecção, à análise psicológica para dar um novo derivativo ao homem. Nenhuma civilização se conseguiu alguma vez esquivar à apologética da mulher, a não ser algumas raras sociedades de jovens guerreiros machos e ardentes, cuja apoteose foi tão rápida como breve – por exemplo as civilizações pederastas de Nínive e de Babilónia -, foram mais consumidoras do que criadoras, desconheceram o menor freio para a sua actividade febril, o menor limite para o seu imenso apetite, o menor marco para as suas necessidades e, por assim dizer, se devoram a si mesmas, desaparecendo sem deixar rasto; é assim que morrem todas as civilizações parasitárias, arrastando um mundo completo atrás de si. Não há um só homem, em cada dez milhões, que escape a esta obsessão da mulher. Se a assassinasse, vibrar-lhe-ia um golpe directo; e o assassinato foi ainda o único meio efizaz que cem centenas de milhares de gerações de machos e milhares e milhares de séculos de civilização humana descobriram para não sofrerem o império da fêmea. Quer isto dizer que a natureza não conheces o sadismo e que a grande lei do universo – criação e destruição – é o masoquismo.
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o poeta e a mulher
Jul. 22nd, 2010 | 01:41 pm

Agora compreendo, temos de celebrar a mulher. A mulher livre. Por isso tantas vezes a provocámos. A mulher sagrada. Como Maria Madalena. Que nos dá à luz e nos dá a luz. Que nos dá o amor.
O sagrado feminino tem sido espezinhado ao longo dos tempos pelas Igrejas, pelos poderes. Só assim se explicam tantas guerras, tanta ganância, tanta luta pelo poder. A revolução anarquista e surrealista passa pelas mulheres. Daí o endeusamento da mulher feito pelos surrealistas.
As mulheres têm um poder de que nem sempre têm consciência. O poder de criar vida, o poder de dar o amor. Sim, agora compreendo. Não pode haver contradição entre o amor e a revolução. Amamos as mulheres. Dissemos, escrevemos aquelas palavras, aqueles palavrões, só para as provocar, para as despertar.
É uma bênção olhar para a mulher amada, para a mulher que passa. É uma bênção, sermos abençoados pelo Sol. Mas a mulher tem de ter noção de quão abençoada é. Eis uma das missões do poeta.
O poeta está cá para cantar a mulher, a beleza da mulher. O poeta está cá para derrubar o capitalismo mas ao fazê-lo deve celebrar a mulher. O poeta não pode ter um discurso puramente político, puramente marxista ou anarquista social.
Olha o anjo que entrou. O poeta tem de falar aos anjos. O poeta tem de voltar à adolescência, quando falava de paz, amor e anjos. O poeta tem de ser a criança sábia. O poeta nada tem a ver com o primeiro-ministro nem com os poderes.
O poeta fala outra linguagem. O poeta anda sempre em demanda do Graal. O poeta não vive no mundo dos políticos nem dos empresários, nem dos financeiros, nem dos bolsistas.
O poeta torna-se naquele que é. O poeta é livre. O poeta quer a mulher livre. O poeta quer o homem livre. O poeta é a própria liberdade. O poeta quer a união sagrada.
António Pedro Ribeiro
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Jul. 19th, 2010 | 02:35 am

e nao ter coragem para fotografar o mar
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Jul. 3rd, 2010 | 01:23 pm

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Jun. 28th, 2010 | 07:15 pm

33 |
El corazón más plano de la tierra, |
Roberto Juarroz |
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Jun. 26th, 2010 | 02:10 am

Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia
pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia
fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei
eu vi
a árvore morta
e soube que mentia
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
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Jun. 14th, 2010 | 12:07 am
engoli o mundo. e não consigo digeri-lo.
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May. 2nd, 2010 | 11:20 pm

Vidas, as lúcidas.
Mortes, as súbitas.
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como fazer
Mar. 21st, 2010 | 08:55 pm

da peça "A Mãe" por Teatro Municipal de Almada
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nova aventura
Mar. 7th, 2010 | 02:33 am

moroporo
galerias lumière, loja 6, porto
vem visitar! ;)
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Foi bonita a festa, pá!
Sep. 8th, 2009 | 11:42 am
López es algo especial
desde cachorrito ya bailaba ska,
sus botas, su chaleco y su forma de andar,
no está domesticado, ama la libertad!
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também para todos
Aug. 20th, 2009 | 09:37 pm

calorosas saudações ao benemérito que se preocupou em iluminar os cabisbaixos!
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terra do Cervo, dois anos depois :)
Aug. 20th, 2009 | 09:09 pm

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1º de Maio em Cuba!
May. 17th, 2009 | 01:47 am
Aqui ficam alguns momentos dessa grandiosa manifestação popular de consciência e unidade.

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Sinfonia perfeita de vid(as)eos
Apr. 18th, 2009 | 02:09 am
2º ...
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mad is Seabra is mad is Seabra is mad
Mar. 13th, 2009 | 04:51 pm
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Salve, orfãos perdidos
Mar. 4th, 2009 | 12:44 pm
Este belo acordo que nos vai ligar
Juro pela vida nunca me trair
Juro pela vida sempre resistir
Juro pela vida nunca obedecer
A qualquer vontade fora do meu ser
Juro pela vida sempre acreditar
No poder sagrado que nos faz amar
Juro pela vida sempre contrapor
O valor da festa contra o tédio em vigor
Juro pela vida todo me entregar
À paixão do jogo do corpo e do criar
Radical radical radical
Hei-de ser no agir no pensar
Só na luta há festa só na luta há gozo
Para ter um destino aventuroso
Eis o Graal nosso Graal
O mundo é nosso vamos a ele
O mundo é nosso não há que ter medo
O mundo é nosso vamos com ele brincar
Gumes|Mão Morta






















